terça-feira, fevereiro 01, 2005

PS debate como enfrentar insinuações de Santana

Ana Sá Lopes


PÚBLICO
A direcção do PS está "estupefacta com o nível a que a campanha está a chegar" e discute, neste momento, a melhor maneira de demonstrar o "repúdio" do partido ao actual clima vivido na campanha eleitoral, em que já é o próprio Santana Lopes a fazer insinuações relativamente a José Sócrates: "O outro candidato tem outros colos. Estes colos sabem bem", disse no sábado num comício em Braga, rodeado de mil mulheres.

Na mesma sessão, em que uma apoiante festejou o primeiro-ministro por ser "ainda do tempo em que os homens escolhiam as mulheres para companheiras", Santana afirmou: "As características pessoais [dos líderes partidários], no que não respeita a questões políticas, não nos interessam".


A direita antecipando a derrota ,deita a mão aos mais nojentos argumentos.Em casos destes deve-se tapar o nariz, pouco mais há a fazer!!

f greg

Apresentação da Associação de Municípios da Ria de Alvor


Tem lugar no Dia Mundial das Zonas Húmidas As Câmaras Municipais de Portimão e Lagos vão apresentar, no próximo dia 2 de Fevereiro (Dia Mundial das Zonas Húmidas), os termos e objectivos da nova Associação de Municípios da Ria de Alvor (Lagos/Portimão). A Associação de Municípios da Ria de Alvor é uma entidade que visa o desenvolvimento de sinergias estratégicas entre os dois concelhos e implementação de medidas que defendam e valorizem a Ria de Alvor. Para além desta sessão, as duas autarquias e a Universidade do Algarve vão igualmente assinar a candidatura ao programa de financiamento da comunidade europeia LIFE. Refira-se que o Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve focaliza os seus estudos em diversos aspectos da pesquisa marinha relevantes para a Ria de Alvor e que os estudos relativos a áreas Natura podem ser comparticipados pelo referido programa.
LP/RS in Diário on-line Algarve

Esperemos que as duas Câmaras ouçam as palavras da Universidade de Faro, assim como os ambientalistas e demais cidadões preocupados com a ameaça de construção de uma unidade hoteleira dita de cariz "ecológico",numa zona tão frágil do ponto de vista do equilibrio natural.


fernando gregorio

segunda-feira, janeiro 31, 2005

Boaventura de Sousa Santos
Finlândia e Portugal


Publicado na Visão em 9 de Dezembro de 2004


A Finlândia acaba de ser, mais uma vez, considerada a economia mais competitiva do mundo. Este facto, atribuído a um país, tal como Portugal, pequeno e situado na periferia da Europa deve ser objecto de reflexão por parte dos portugueses, sobretudo agora que nos preparamos para novas eleições.
Se nada mais se soubesse sobre a Finlândia, a cartilha neoliberal, tão bem aprendida pela grande maioria dos nossos comentadores políticos e económicos, diria que tal desempenho estaria assente na: prevalência das leis do mercado na vida económica e social, privatização de todos os serviços públicos considerados não "essencialmente estatais" (como a educação, a saúde e a segurança social), baixos impostos, sindicatos fracos, altos níveis de desemprego e de desigualdade social, e em geral, um estado com pouco peso na economia e na sociedade. Ora como nada disto é verdade, os portugueses, devem suspeitar das "verdades" neoliberais com que vão ser bombardeados nos próximos meses.
O alto desempenho da economia finlandesa é significativo sobretudo por ser consistente com outros desempenhos notáveis no contexto internacional: uma das sociedades com menos corrupção e menos desigualdade social, com os mais elevados níveis de escolaridade, de qualidade do meio ambiente e de liberdade de imprensa. Aliás, estas características aplicam-se, em geral, aos países nórdicos e, ao contrário do que queriam os profetas do neoliberalismo no início da década de oitenta, assentam em culturas e instituições políticas que se têm mantido com grande dinamismo. Duas perguntas ocorrem: Qual o segredo de tudo isto? Poderá Portugal aspirar a tal excelência? Respondo à primeira e deixo aos leitores a resposta à segunda. O segredo assenta nas seguintes ideias:

1- A globalização não implica a perda de coesão da economia nacional, apenas faz com que ela se afirme (ou destrua) no modo como a economia nacional se insere na globalização. A diferença está na qualidade de inserção.


2- Para ter qualidade, a inserção global tem de ser um projecto nacional (e não de um sector do capital ou de uma agência internacional) e assentar em elevados níveis de educação e de fomento científico. A Finlândia é um dos países com a mais alta percentagem do PIB em investigação e desenvolvimento. Para além de ter um sistema de educação de alta qualidade, público, universal e gratuito. O contraste com Portugal é obvio.


3- Só há projecto nacional se houver uma comunidade nacional e esta não existe se as desigualdades sociais forem grandes. Não há comunidade entre os cidadãos comuns e os que vivem em condomínios fechados, têm motoristas privados, criados e treinadores pessoais (de qualquer deles há proporcionalmente mais em Portugal do que na Finlândia).
O Estado forte e eficaz é um factor importante na criação da coesão nacional, ao coordenar interesses divergentes e ao redistribuir riqueza através da tributação, traduzindo-a em serviços públicos de qualidade. Uma coisa é reformar o Estado e a administração pública para os tornar mais justos, transparentes e eficazes (Finlândia), outra coisa é atacar um e outra sob o pretexto de que são irremediavelmente injustos, opacos e ineficazes (Portugal).


4- A economia de mercado só é socialmente útil se a sociedade não for de mercado. Para isso, é necessário que os "bens sociais" como a saúde, a educação e o sistema de pensões sejam produzidos por serviços públicos, não sujeitos à lógica do mercado. Uma coisa é reformar para viabilizar o sistema nacional de saúde, de educação e de pensões (Finlândia), outra coisa é privatizá-los sob o pretexto de que são irreformáveis ou inviáveis (Portugal).
Louçã lança desafio


Sábado, 29 Janeiro 2005

Num concorrido jantar em Barcelos, Francisco Louçã lançou um desafio público a todos os partidos: que tragam ao debate da campanha a questão da corrupção e o triângulo que envolve câmaras, empresas de construção e clubes de futebol. O deputado do BE insistiu nas medidas de combate à fraude fiscal e à corrupção, como o levantamento do segredo bancário, e garantiu que "tal como a água do rio é fiel à sua fonte, também o BE é fiel a quem o elegeu e ao programa que apresentou."

domingo, janeiro 30, 2005

CRESCIMENTO ECONÓMICO, DÉFICE ORÇAMENTAL E DIVIDA PÚBLICA EM PORTUGAL NO PERIODO 1974-2004

AS PRINCIPAIS CONCLUSÕES DESTE ESTUDO

1- O pensamento económico único dominante em Portugal, de cariz neoliberal, tem procurado difundir a ideia de que o défice orçamental mais elevado é incompatível com taxas de crescimento económico mais elevadas, e que bastaria reduzir o défice abaixo dos 3% para que, como por milagre, Portugal alcançasse elevadas taxas de crescimento económico e a prosperidade invadisse o País.

2- Este estudo realizado com base em dados publicados pelo INE, e abrangendo um período de tempo suficientemente longo (1974-2004), mostra que isso não é verdade.

3- Assim, depois do 25 de Abril, os anos em que o crescimento económico foi maior em Portugal, com taxas reais iguais ou mesmo superior a +5% (períodos 1977-1980 e 1986-1991) foram anos com défices elevados que, no primeiro período ( 77/80), se situaram entre os -4% e os -9% e, no segundo período (86/91), entre -2% e -6% (gráfico I e II).


4- Se a análise se circunscrever a um período mais recente (1986-2004), e se seleccionarmos os 6 anos em que o défice foi inferior a -3% (1989,1999, 2000, 2002, 2003 e 2004), e os 6 anos em que o défice foi superior a -5,5% (1986, 1987, 1990, 1991, 1994 e 1995) conclui-se que as taxas de crescimento económico nos anos que o défice foi superior a -5,5% foram, em média, 68% mais elevadas do que as taxas de crescimento económico nos anos em que o défice foi inferior a -3%. Efectivamente, a média das taxas reais de crescimento económico dos anos em que o défice ultrapassou os -5,5% é de 3,7%, enquanto a média das taxas em que o défice foi inferior a - 3% é de 2,2%. (gráfico III e quadro I).

5- Em resumo, a experiência portuguesa mostra, por um lado, que não é incompatível taxas de crescimento elevadas com défices e endividamento mais elevados , e que o inverso – Divida Pública e défices mais reduzidos – não está necessariamente associado a taxas de crescimento económico mais elevadas, como o pensamento económico único pretende fazer crer (quadro I)


REDUÇÃO DO DÉFICE ORÇAMENTAL NÃO DETERMINA, SÓ POR SI, ELEVADAS TAXAS DE CRESCIMENTO ECONÓMICO

Uma das ideias força do pensamento económico único dominante é que quanto mais reduzido for o défice orçamental mais elevado será o crescimento económico.

Chega-se mesmo ao ponto de afirmar-se ou insinuar-se que bastaria reduzir o défice abaixo do valor mítico de 3% para, como por milagre, o crescimento económico e a prosperidade atingissem Portugal. E o raciocínio elementar é o seguinte: desta forma o Estado libertaria meios que ficariam disponíveis para as empresas que os aplicariam em investimento produtivo e o crescimento dispararia.



TAXAS DE CRESCIMENTO ELEVADAS COM DÉFICES ELEVADOS EM PORTUGAL

A experiência do crescimento económico português depois do 25 de Abril, esquecida sistematicamente pelo pensamento económico dominante, prova que o crescimento económico não é incompatível com défices mais elevados, mostrando mesmo que em muitos anos o crescimento só foi possível dessa forma.

O gráfico que se apresenta seguidamente, publicado no estudo “30 ANOS DE 25 DE ABRIL, um retrato estatístico” publicado pelo INE, revela a curva do crescimento económico em Portugal num período suficiente longo pois abrange o período que vai de 1974 a 2002


ALGUMAS CONCLUSÕES FINAIS

É evidente que não se está a defender que quanto mais elevado for o défice maior será o crescimento económico, e que o equilíbrio das contas públicas não deve merecer preocupação. Pelo contrário, as contas públicas, pela importância que têm no contexto do País, devem merecer uma atenção constante e um controlo inteligente e não cego como tem sido feito.

No entanto, a experiência portuguesa depois do 25 de Abril mostra que as taxas de crescimento económico mais elevadas estiveram associadas a défices mais elevados. Assim, se já não tinha qualquer sustentação cientifica a defesa obsessiva do défice de -3%, a experiência empírica reforça a ideia de que é errado transformar o défice de -3% numa obsessão a que tudo se deve sujeitar, sacrificando o crescimento económico como se tem sido feito, e pensando que com défices reduzidos impostos de qualquer maneira o crescimento económico elevado será automático. A experiência portuguesa dos três últimos anos mostra de uma forma clara que persistir no caminho que tem sido seguido só poderá ter consequências económicas e sociais graves. A experiência europeia, com taxas de crescimento muito reduzidas, parece também confirmar o mesmo.

Eugénio Rosa
Economista – Tel. 917 576 313

Propostas do BE para a sustentabilidade da Segurança Social
Sexta, 28 Janeiro 2005


Na sociedade portuguesa tem vindo a renascer "a ideia" da insustentabilidade da segurança social. A direita e o capital financeiro apresenta como "solução" o plafonamento das pensões, o aumento da idade da reforma e a diferenciação e diminuição nas prestações sociais. O PS propõe-nos o aumento da idade da reforma e a concessão a privados de mais uma parte do Fundo de Capitalização da Segurança Social. O BE afirma-se pela sustentabilidade do sistema público da segurança social e propõe a convergência das pensões ao SMN numa politica de combate à pobreza. Clica aqui para descarregar o documento
A opinião de Nicolau Santos

E não se pode exterminá-los?

Os programas eleitorais do PSD e PS mostram uma tendência que se vai espalhando por toda a Europa e que tem por base o modelo americano: a redução dos direitos sociais dos cidadãos, quer seja no plano da Segurança Social, quer seja no domínio da Saúde.

E assim a proposta do aumento da idade de reforma como meio para manter por mais alguns anos o actual sistema de Segurança Social está a fazer caminho; assim como o aumento das horas de trabalho por semana se vai impondo na Europa também cá há-de chegar; a flexibilização dos horários de trabalho é outro dos pontos na agenda; e a redução de alguns aspectos no direito à greve dos trabalhadores acabará igualmente por ser discutido.

Digamos que o drama da Europa é este: para reganhar competitividade e bater-se de igual para igual com Estados Unidos, Japão e agora com os novos países emergentes, os chamados BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), a ideia dominante é que se torna necessário desmantelar o Estado Providência, que foi a base do modelo social europeu desde os anos 50, com indiscutível sucesso até à segunda metade da década de 80.

O problema é que ninguém pode dar garantias que só por a Europa aproximar o seu modelo de vida do americano, obterá os mesmos resultados que os Estados Unidos - porque, apesar de tudo o que tem sido feito, os Estados Unidos são um todo coerente, que fala a mesma língua e obedece ao mesmo Governo, enquanto na EU existem 25 países, com línguas diferentes, Governos diferentes e interesses diferentes, apesar de utilizarem a mesma moeda e concordarem em várias políticas. Os resultados que a aplicação do modelo americano terão na coesão social europeia não estão provavelmente a ser equacionados com a seriedade e os riscos que decisões desse tipo implicam.

Vem isto a propósito do estudo que o Infarmed, por indicação do ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira, encomendou à consultora britânica Europe Economics e no qual esta propõe três coisas, qualquer delas mais extraordinária: 1) que os utentes do Serviço Nacional de Saúde paguem a totalidade do preço dos medicamentos quando os vão comprar às farmácias, sendo depois reembolsados; que aos médicos privados que têm um acordo com o SNS seja estabelecido um tecto anual para os medicamentos comparticipados que prescrevam aos seus doentes; e que o valor a dar pelo Estado ao utente seja reduzido para o valor do genérico mais barato e não o mais caro, como actualmente acontece.

A consultora britânica dá a receita, mas não terá qualquer responsabilidade política na sua aplicação. Não sei se o modelo que apresentou teve em conta a realidade portuguesa ou se se baseou no que acontece em Inglaterra. Mas como qualquer pessoa de bom senso reconhecerá, há milhões de cidadãos portugueses, sobretudo em idade elevada e com pequenas reformas, que não terão qualquer capacidade para pagar à cabeça os seus medicamentos e depois esperar seis, nove ou doze meses para serem reembolsados. Morrem antes, de certeza. Mas é claro que, com este sistema, resolveremos provavelmente para sempre o problema do défice estrutural do Serviço Nacional de Saúde. Como se prova, é fácil: criam-se as condições para que morra o maior número possível de utentes do dito SNS. Espero que a Europe Economics tenha cobrado ao Estado português, isto é, aos contribuintes nacionais, um preço elevado por estas recomendações. Bem merece.



Público
24 Janeiro 2005

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Oito renovadores comunistas nas listas do Bloco de Esquerda


Oito elementos do Movimento de Renovação Comunista vão integrar as listas do Bloco de Esquerda às eleições legislativas de Fevereiro, no âmbito de um acordo político entre as duas estruturas, disse hoje à Lusa fonte do movimento.
Agência LUSA
RTP informação, 9-1-2005



Cipriano Justo, porta-voz e membro da comissão permanente do Movimento de Renovação Comunista (MRC), adiantou que o acordo político com o Bloco de Esquerda (BE) foi hoje aprovado no Encontro Nacional do MRC e vai permitir aos elementos do Movimento concorrerem "como independentes nas listas do Bloco, mas em representação do MRC".

Os oito elementos do MRC que integram as listas do BE são João Semedo, pelo círculo do Porto, Paulo Fidalgo e João Rodrigues, por Lisboa, António Rodrigues, por Coimbra, Adelino Granja, por Leiria, e Saudade Lopes, Teixeira Lopes e Rui Lima Jorge por Aveiro.

Segundo Cipriano Justo, o acordo político aprovado hoje "estipula direitos e deveres", nomeadamente no que toca à presença parlamentar dos membros do MRC, sendo que o "único elemento do Movimento que estará presente na Assembleia da República" é João Semedo, que deverá assumir o cargo de deputado por um período de oito meses.

O acordo salvaguarda também que, em caso de moções de censura ou confiança e votações orçamentais, se o membro do MRC não estiver de acordo com a posição do grupo parlamentar do BE pode pedir a suspensão de mandato, pormenorizou Cipriano Justo.

O porta-voz do MRC adiantou ainda que a integração de oito elementos do MRC nas listas do BE "não foi unânime, mas foi aprovada por uma larga maioria".

Já a transformação do Movimento numa associação política, também decidida hoje, foi "aprovada por unanimidade" e Cipriano Justo acredita que possa ser concretizada "durante o primeiro trimestre deste ano".

Cipriano Justo estima que, "numa primeira inscrição", o número de sócios ascenda a 200 e rejeitou que a transformação em associação política seja uma "antecâmara" para a criação de um partido político.

"Essa agenda não está em cima da mesa", enfatizou, adiantando que a associação vai "cumprir as finalidades para as quais vai ser criada" e que só a "conjuntura política poderá indicar se há necessidade ou não de enveredar por um partido político".


FORUM MUNDIAL


Hoje começa, oficialmente, o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre.Uma marcha pelas ruas do Centro misturou cores, sotaques, línguas e costumes das mais de 100 mil pessoas que já circulam em Porto Alegre há alguns dias. Um rápido olhar pela "cidade de lona", como estão chamando os mais de quatro quilômetros onde estão localizadas as mais de 500 tendas às margens do Rio Guaíba, já antecipa a diversidade que construirá o Fórum deste ano. Estão inscritas pessoas de 119 países dos cinco continentes.


A Caminhada pela Paz, que começou com uma concentração na praça Glênio Peres, às 16h, levou uma multidão para a rua. Na avenida Borges de Medeiros, uma das maiores da cidade, o rio de gente se espalhava e, em cada rosto, a alegria de estar participando de um evento histórico. Carregando bandeiras ou de trajes típicos, para demarcar a origem, os caminhantes, na maioria de jovens, seguiram até o anfiteatro Pôr-do-Sol, onde aconteceu o show de abertura. Antes, porém, foram depositadas oferendas, como livros, bandeiras e pedras. Logo a seguir, começaram os espetáculos, que celebrarão o encontro dessas pessoas, movimentos, organizações e desejos.
25.01.2005

Mídia alternativa terá destaque na cobertura do V Fórum Social Mundial


O conceito de cobertura compartilhada e livre vem sendo construído pelas mídias alternativas desde a primeira edição do Fórum Social Mundial, em 2001.
Baseado nesta idéia o Grupo de Trabalho de Comunicação do COB (Comitê Organizador Brasileiro) do V FSM adotou uma política que define a mídia alternativa como uma parceira estratégica na divulgação das idéias debatidas no fórum. Veja abaixo os projetos que estarão em andamento este ano.
V Ciranda Internacional da Informação Independente – O projeto já está em sua quinta edição – existe desde o I Fórum, em 2001. Seu princípio é formar uma base para a cobertura compartilhada do Fórum.
Usa o princípio do copyleft, em que os textos podem ser copiados e reproduzidos em outros veículos, desde que divulgada a fonte.

Para participar, acompanhar ou saber mais, veja www.ciranda.net ou entre em contato por ciranda@ciranda.net
ALJEZUR ESPERA O BLOCO!!


Sugestões para Aljezur.


Já espalhei propaganda do BE nas paredes em lugares estratégicos e recebi um grande interesse por parte da população. Todos a apoiar-me e vários entusiastas que já sentiram falta do BE em Aljezur, especialmente para as próximas eleições autárquicas. Posso contar com o ex-chefe dos Correios, o dono do restaurante do clube desportivo e com a dona da loja óptica em Aljezur.

A espera de notícias...Birgit

terça-feira, janeiro 25, 2005

Bem-vindas as Críticas



Por FRANCISCO LOUÇÃ




Terça-feira, 25 de Janeiro de 2005



Com atenção as críticas que Eduardo Dâmaso e Ana Sá Lopes dirigiram à minha intervenção no debate com do Dr. Paulo Portas. São bem-vindas as críticas, mas creio que partem de uma interpretação errada. Vale a pena, por isso, fazer um esclarecimento.
De facto, indignei-me e continuo a indignar-me quando os defensores da prisão das mulheres que abortaram acusam os defensores do respeito pelas mulheres de atentarem contra o "direito à vida". Por outras palavras, de serem cúmplices de assassinato. A criação da vida é uma responsabilidade e experiência inteiramente pessoal. Ninguém, e provavelmente ainda menos quem a vive, pode tolerar ser tratado com este desprezo infinito da acusação de homicídio pela sua opinião sobre uma lei. A vida não se discute e o que está em causa na política portuguesa é outra questão: é exclusivamente saber se a mulher deve ter o direito de fazer uma escolha sobre a sua maternidade ou se deve ser presa se abortar. Eu continuo do lado da liberdade e o meu adversário não.
Interpretar este debate como uma imposição moralista acerca da bondade de um determinado modelo de família seria surpreendente. Os meus críticos sabem bem que me tenho batido contra todas as tentativas de imposição, por parte do Estado, de qualquer modelo de família estandardizado e que propus e votei no parlamento - contra o PSD e o PP - a lei das uniões de facto. Continuarei sempre a defender esse direito, mesmo sabendo como sofri insinuações e calúnias construídas a partir dos preconceitos ou da surpresa de tal questão de liberdade ser pela primeira vez trazida para a agenda política. Essa lei garante, ao contrário da que estava em vigor, a inclusão de todos, sem qualquer tido de discriminação - e essa é a garantia de respeito que a República deve dar aos seus cidadãos. O resto, a escolha de modo de vida de cada pessoa, é, como sempre foi, estritamente do domínio do privado e não faz parte, em nenhuma circunstância, do debate político.
A diferença entre a posição política da esquerda e a do Dr. Santana Lopes ou do Dr. Paulo Portas, em contrapartida, é do domínio do debate e é decisiva nestas eleições onde se defrontam dois campos: toda a esquerda unida propõe uma lei moderada, nos exactos termos das leis europeias, que termine o ritual de humilhação nos tribunais; a direita unida propõe a manutenção da lei e em consequência da pena de prisão de 3 anos para as prevaricadoras. Mais ainda, o debate de hoje não se trata de um mero remake do passado, porque o argumento do "direito da vida" implica forçosamente que as actuais excepções da lei viessem a ser anuladas se a direita para tal tivesse maioria e muitos dos seus dirigentes já nem o escondem. Essa é claramente a posição de vários candidatos a deputados pelo PP e pelo PSD: a mulher violada que recorra ao aborto deve ser punida nos termos da lei com os mesmos 3 anos de prisão. É ainda notório que deputadas e deputados do PSD comprometidos com um novo referendo e com a descriminalização do aborto foram afastados das listas.
Para não deixar dúvidas, o partido do Dr. Paulo Portas fez campanha nas vésperas da revisão constitucional pelo reconhecimento da "personalidade jurídica do feto". O que implicaria que a moldura penal do crime de aborto passaria de 3 anos para no mínimo 8 anos de prisão e a anulação de todas as excepções da actual lei. Fê-lo com a pouca convicção de quem tem vergonha da sua própria posição, mas não deixou de o fazer, para responder positivamente a quem também defende que mesmo o uso do preservativo é um pecado. Mais uma vez, quem esteve do lado da liberdade foi a esquerda e não o fanatismo da direita.
E esta é a questão de hoje: ou uma posição moderada vence no único país da Europa onde ainda há julgamentos de mulheres por "crime" de aborto, ou o fanatismo intransigente continua. Não sei se o defendi sempre da forma mais esclarecedora, mas os leitores do "Público" que concordem ou que discordem da minha opinião sabem que não tenho outro compromisso que não seja com a liberdade e responsabilidade para a mudança desta lei, a partir da clareza da decisão democrática.




deputado e dirigente do Bloco de Esquerda

O Iraque e o terrorismo internacional


«Invasão fez do Iraque 'campo de treino de terroristas'»


Por Pedro Caldeira Rodrigues.




Jornal "Público", 15 de Janeiro de 2005.



«A guerra está a tornar o Iraque num "campo de treino para terroristas" e a substituir o Afeganistão como centro dessa actividade, de acordo com o novo relatório intitulado "Planificando o Futuro Global". O documento foi elaborado pelo National Intelligence Council (NIC), um "think tank" integrado na estrutura da CIA, os serviços secretos dos Estados Unidos.
O relatório de 120 páginas, o terceiro de um projecto desencadeado em meados da década de 1990, é baseado nas dissertações e comentários de mais de 1000 especialistas norte-americanos e estrangeiros que participaram em cerca de 30 conferências e seminários durante o último ano.
Apesar de o NIC acreditar que a possibilidade de um conflito entre as "grandes potências" é "a mais baixa dos últimos 100 anos", sublinha-se que os factores motivadores do terrorismo internacional não dão sinais de diminuição, e sustenta-se que a "especialização" garantida pelas formações terroristas no Iraque vai afectar o mundo nas próximas décadas. "Neste momento, o Iraque é um palco privilegiado para a actividade terrorista internacional", referiu, citado pelo "Washington Post", o director do NIC, Robert Hutchings. Este treino no terreno", acentua o estudo, contribuirá para formar uma geração de "terroristas profissionalizados".
Numa primeira reacção, a Casa Branca desvalorizou o documento governamental. "Trata-se de um relatório especulativo sobre coisas que podem acontecer no mundo", considerou o responsável pelas relações com os "media" Scott McClellan.
O Presidente George W. Bush tem frequentemente descrito o Iraque como a "frente central na guerra contra o terror" e defende que os EUA devem confrontar a ameaça terrorista no exterior das suas fronteiras. "O relatório confirma que temos a estratégia correcta para vencer a guerra contra o terrorismo", precisou McClellan.
O documento do NIC precisa que o Iraque está a fornecer a possibilidade de "treino, recrutamento e melhoria das qualidades técnicas" para as formações terroristas, como enfatizou David Low, o responsável do Conselho pelas ameaças transnacionais.
Antes da invasão militar anglo-americana do Iraque, em Março de 2003, a CIA considerava que o Presidente Saddam Hussein apenas mantinha "laços circunstanciais" com diversos membros da Al Qaeda, recordou ontem o "Washington Post". Osama bin Laden recusou a ideia sobre a formação de uma aliança com Saddam e encarava-o mesmo como um inimigo do movimento islâmico radical, pelo facto de liderar um Governo laico.
No entanto, a instabilidade aumentou no Iraque após a invasão e o derrube do antigo regime, enquanto se assistiu ao aumento do ressentimento no mundo islâmico face aos EUA. Os especialistas consideram que os membros de grupos radicais estrangeiros que se deslocaram para o Iraque constituem hoje o principal núcleo dos bombistas suicidas, enquanto membros da inteligência norte-americana sugerem que estes estrangeiros estão agora a formar alianças tácticas com antigos combatentes baasistas (o ex-partido único) e outros insurrectos.»




Publicado por gustavosampaio em 11:59 PM Comentários (0) TrackBack (0)

segunda-feira, janeiro 24, 2005

SOBRE O APITO DOURADO!!


Deus existe!
MIGUEL PORTAS
Diário de Notícias, 22/4/04



OK, até prova em contrário eles são inocentes.
OK. Mas a verdade é que há dias em que um tipo acorda e sente que vai valer a pena. Anteontem, foi um desses dias.Vinte buscas domiciliárias e 16 detidos e entre eles alguns grandes pássaros! Não sabemos ainda no que irá dar, mas teve aspecto de coisa bem feita. Se assim se vier a verificar, o «Apito Dourado» é a chegada do 25 de Abril à redondinha. Com 30 anos de atraso, mas tarde sempre é melhor do que nunca.Esperança, pois então.Até porque o processo agarra as margens do «sistema» e não o seu coração.


A História está cheia de gente apanhada em falso pelos pormenores. Al Capone, por exemplo, não foi condenado por ser o chefe dos gangsters, mas porque a sua contabilidade fictícia tinha buraco. Que assim seja, se assim tem de ser.A avaliar pelos detidos e pelas buscas, o que está em causa é, simultaneamente, menos do que o «sistema» e mais do que o «sistema».Menos do que o «sistema», porque os árbitros em averiguações estão a ser chamados à conta de um clube secundário que se encontra fora do esquema principal. O que há em comum com o «sistema» é a suspeita de arranjo de resultados por via de suborno aos juízes do espectáculo.
Mas mais do que o «sistema», porque a coisa parece dirigir-se ao «sistema por detrás do sistema», ou seja, ao triângulo de morte em que vivem câmaras municipais, clubes da terra e construtores civis.


O futebol é hoje a grande parábola deste país.
Temos Euro 2004, estádios de última gama financiados pelos poderes públicos, grandes jogadores a peso de ouro e treinadores de primeira água. Eis a modernização superficial, aparente, daquilo que já foi um desporto e que hoje é a nossa principal indústria do espectáculo.Depois... por detrás das luzes, continua a funcionar uma economia pré-capitalista, onde a maioria das SAD são pura ficção, porque dependem dos financiamentos públicos em contado ou espécie, onde a lavagem de dinheiros sujos se processa com assinalável sucesso.As bases desta miséria, as suas placas giratórias são, de um lado, os municípios com os seus subsídios e terrenos para urbanização e, do outro, os construtores que investem o que só parcialmente declaram.


Eis então, no seu esplendor, o «progresso» das terras com clubes de futebol, que há muito deixaram de cumprir quaisquer obrigações sociais significativas na promoção do desporto.Gondomar, Marco de Canaveses, Felgueiras e Braga aí estão, como exemplos maiores do «sistema por detrás do sistema».
O presidente de câmara assenta o seu poder numa mentira que tudo legitima: um clube bem colocado põe o «concelho no mapa».Isto justifica os financiamentos públicos, as facilidades e, no limite, a compra de árbitros, que, aliás, «os outros também fazem e por isso...». O resto é igualmente justificado: o espectáculo sai cada vez mais caro e exige co-financiamento da iniciativa privada, a qual «deve ter as suas compensações».E entra o construtor, em prol da terra, claro.
Sobra o mais simples: o partido é tomado pelo presidente, a oposição também se compra e as direcções nacionais dos partidos do sistema dão cobertura para não perderem as eleições.Entenderam ou é preciso um desenho?


É por isso que esta investigação, se estiver bem preparada, é uma revolução.Com «R». Porque as revoluções, diferentemente das evoluções, se fazem contra o «sistema».


mportas@netcabo.pt

domingo, janeiro 23, 2005

Louçã criticou PSD e CDS/PP

Dirigente apontou prioridades para Portugal


O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, criticou ontem, durante uma conferência realizada na Biblioteca Municipal de Portimão, o PS e o PSD por só terem apresentado os seus programas no final da pré-campanha. Francisco Louça afirmou que o Bloco apresentou o seu programa em Janeiro, enquanto que o PSD fê-lo sexta-feira e o PS no sábado.

A demora do CDS/PP em apresentar o seu programa fica a dever-se, na opinião do bloquista, ao facto de já ter um Governo formado. Segundo Louçã, com as políticas anunciadas do PSD "tudo ficará na mesma". Quanto ao programa dos socialistas, o dirigente do Bloco de Esquerda apesar de não o conhecer detalhadamente, apontou alguns aspectos, que no seu ponto de vista, são criticáveis. BE apresenta-se como “uma alternativa de confiança” O deputado fez saber que o BE se apresenta nestas eleições como alternativa de confiança da esquerda socialista e popular. Louçã prometeu não estabelecer acordos programáticos com governos que sejam constituídos numa base contrária a este compromisso.


Em Portimão, o líder bloquista defendeu uma governação atenta às necessidades sociais, que tenha como prioridades a criação de emprego, nomeadamente na área da defesa alimentar, no combate ao crime, nas cobranças dos impostos ou na defesa da floresta; a recuperação do Serviço Nacional de Saúde; o combate à corrupção e fraude fiscal; a mudança na educação. O problema algarvio


O cabeça de lista do Bloco de Esquerda pelo Algarve criticou as políticas vigentes para o Algarve que se baseiam apenas no desenvolvimento turístico. José Manuel do Carmo afirmou que "ao fim de 25 anos de massificação do turismo, hoje temos uma região que tem vindo a prejudicar a sua qualidade ambiental" e a provocar um "desequilíbrio entre o litoral e o interior", com base na "monocultura do turismo".


O candidato a deputado pelo Algarve não deixou de frisar ainda o problema do desemprego que na região atinge 17 mil pessoas. Sobre a existência de um Hospital Central em Faro, o cabeça de lista do BE pelo Algarve afirmou a importância da construção daquela unidade de saúde, explicando que "a população residente assim o justifica", mas salientou que deve ser uma instituição totalmente pública.


in diário on-line Algarve

sexta-feira, janeiro 21, 2005

SOLIDERIEDADE COM A PALESTINA


Olá a todos,

Para conhecimento de todos, dia 28 de Janeiro realizar-se-á o primeiro de 3 debates sobre a Palestina, com o tema Vivências na Palestina de Hoje, que terá lugar na Sociedade Recreativa e Artística Os Artistas, Rua do Montepio, nº10, Faro, pelas 21:30h, com a presença de Mauro Amaral, Miguel Portas e Margarida Guerreiro.

Os seguintes debates serão:

- A Génese do Conflito na Palestina (data e presenças a confirmar)
- Um Rio - Dois Estados: O Amanhã de Israel e Palestina (datas e presenças a confirmar)

Com a organização destes eventos surge a Comissão Algarve-Palestina, que não pretende apenas promover o ciclo de debates, mas dar continuidade a um movimento de expressão e apelo à cidadania efectiva e a uma preocupação permanente dos direitos humanos, que são sistematicamente violados, por todo o mundo. É imperativo acabar com as políticas hipócritas mundiais e combater a vulgarização das imagens e notícias que nos chegam sobre a Palestina e banalizam um conflito que há décadas atormenta a Faixa de Gaza.

Participe activamente na causa deste povo e faça desta comissão, a sua comissão e a sua voz! Juntos vamos ser o eco colectivo de uma consciência que se quer humana, justa e solidária para com o povo palestiniano.

Para fazer face às despesas iniciais desta Comissão (para concretizar a divulgação do próximo debate e de futuras actividades), apelamos à sua consciência voluntária para uma contribuição de um mínimo de €2, com o objectivo de abrir uma conta em nome desta nossa organização.

Contacte-nos:

Ana (eu mesma), através deste email ou do telm. 91 215 15 14
Amália Cabrita, através do email
mailinha777@yahoo.com.br ou do telm. 96 163 24 62


Fica desde já convidado a participar nos nossos eventos activamente e integrar a Comissão.

Agradecemos a divulgação desta informação, começando por colocar um sorriso na tristeza desta causa palestiniana e nossa.


Recebam o nosso abraço solidário,
Ana & Amália

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Manifesto eleitoral do BE-ALGARVE


Clica no link abaixo;


FARO.pdf (0.27 MB)

CONSULTA DA UE SOBRE A POLUIÇÃO




Bom dia a todos:

A Comissão Europeia (CE) desencadeou um processo de consulta pública sobre poluição atmosférica, via internet, com o objectivo último de contribuir para a Estratégia Temática sobre Poluição Atmosférica, prevista no 6º Programa de Acção em Ambiente e que deverá ser aprovada em Julho de 2005.
O questionário, muito simples, que pode e deve ser respondido por qualquer cidadão europeu mesmo que não tenha conhecimentos especializados sobre a matéria, está disponível em português através da página do Instituto do Ambiente (
www.iambiente.pt ), onde existe um "link" à página da Comissão (na qual apenas tem que seleccionar o idioma Português no canto superior direito) ou directamente no endereço seguinte: http://europa.eu.int/yourvoice/forms/dispatch?userstate=checked&form=356&lang=PT&action=changelangformviewer
Venho desta forma divulgar esta iniciativa da CE, que decorrerá até 31 de Janeiro, sugerindo que a divulgue pelos seus contactos e que reflicta um pouco sobre um assunto que a todos diz respeito e no qual temos oportunidade de intervir directamente transmitindo a nossa opinião às autoridades competentes.
Uma boa oportunidade para exercer a nossa cidadania!!!

terça-feira, janeiro 18, 2005

Bloco apresenta Programa de Emergência contra o Desemprego14-01-2005



O Bloco de Esquerda apresentou, no dia 12 de Janeiro, um Programa de Emergência contra o Desemprego. São 17 medidas de urgência absoluta para combater a mais profunda herança social deixada por 3 anos de governo das direitas no nosso país: 200 mil novos desempregados, 400 pessoas que ficam sem emprego todos os dias. Consulta aqui o Programa de Emergência contra o Desemprego.
Bloco pede derrota "copiosa" para a Direita


Luís Fazenda quer um desaire eleitoral dos partidos da coligação, susceptível de condicionar qualquer candidato presidencial daquela área política.
O Bloco de Esquerda vai apresentar-se às próximas eleições legislativas com um conjunto de propostas, susceptíveis de serem aplicadas nos primeiros 100 dias de governação. A revogação do Código de Trabalho, a despenalização do aborto, o retorno dos Hospitais SA ao sector público administrativo e a retirada da GNR do Iraque são algumas das medidas consideradas fundamentais, disse Luís Fazenda, sexta-feira, em Faro, durante a apresentação da lista de candidatos daquela força política pelo Algarve.

O Bloco de Esquerda (BE) está convicto numa derrota "copiosa" da Direita nas próximas eleições legislativas. Com base nesse pressuposto defende a necessidade de um "debate à Esquerda". De acordo com Luís Fazenda esse debate significa a diferença entre um verdadeiro "virar de página em relação às políticas das direitas", ou um simples "dobrar de página". O Partido Socialista (PS) seria, nesse cenário de diálogo, o interlocutor privilegiado. Contudo, a ilustrar a tradicional dificuldade de entendimento entre a Esquerda em Portugal, algumas das palavras mais duras do dirigente nacional e deputado do BE foram, precisamente, para o PS.

Segundo Luís Fazenda, os socialistas, "lamentavelmente, de manhã tem uma opinião sobre um problema nacional e à tarde tem uma outra". O BE aguarda "de forma serena" a apresentação do programa eleitoral do PS, mas nota, desde já, "posições cada vez mais continuístas em relação àquilo que tem sido a corrente dominante da política portuguesa". Para o responsável, "não basta mudar de Governo", são necessárias "políticas alternativas". Vê, por isso, com preocupação as posições assumidas pelo PS em termos de "política fiscal, ambiental ou internacional".

Sobre o actual Governo, Fazenda considera que fazer pior "era impossível", por isso pede um castigo exemplar para os partidos da coligação. Uma punição rigorosa, expressa numa "copiosa derrota nestas legislativas". Um desaire eleitoral capaz de "limitar extraordinariamente" a possibilidade de vitória de "um qualquer candidato das direitas às Eleições Presidenciais", enfatizou. O actual Governo "somou crise à crise", disse, dando como exemplos "o recorde de mais um milhão de desempregados" a atitude "anti-social em relação à pobreza, aos beneficiários do rendimento mínimo e aos trabalhadores". Para o BE, o Governo "incentivou a precariedade do trabalho", com a aprovação do Código Laboral"; foi "fanático e conservador" em relação a um conjunto de problemas sociais importantes, como "a não despenalização do aborto".

Fazenda acusou o Executivo de procurar "reduzir os funcionários a peças da sua máquina de domínio e de direcção através da chamada Reforma da Administração Pública". Esta campanha eleitoral, considerou o dirigente bloquista, é a oportunidade para "levar até ao fim o castigo a esta política da Direita, mostrando que temos alternativas com as políticas de Esquerda". Uma alternativa de desenvolvimento José Manuel do Carmo encabeça a lista do BE por Faro às próximas eleições. Numa intervenção mais centrada na região, o candidato elegeu como principal preocupação do BE a "afirmação de um modelo alternativo de desenvolvimento para o Algarve".

O Bloco defende para a região um novo desenho da via-férrea, a promoção do emprego e da integração dos emigrantes, políticas de saúde e de educação ligadas às questões sociais e o investimento na produção de energia a partir de fontes alternativas. José Manuel do Carmo expressou preocupação com o abandono da serra e o conflito entre o actual modelo de desenvolvimento e a protecção do ambiente, designadamente na gestão dos recursos hídricos, ao mesmo tempo que defendeu a salvaguarda do solo agrícola e a valorização do património natural.

Além do cabeça-de-lista, o BE candidata pelo Algarve, respectivamente, João Romão, Manuela Fernandes, Vidal Marreiros, Vítor Ruivo, Henrique Cabeleira, Ana Guerreiro e João Paulo de Almeida. Como suplentes, concorrem António Pereira, João Vasconcelos, Celeste Baeta, Albano Torres e Bruno Cortes. O mandatário do BE é o antigo responsável na região do Movimento Partido da Terra, Fernando Pessoa, que abandonou a organização quando os dirigentes nacionais decidiram concorrer às eleições coligados com o PSD.
Márcio Fernandes
18 de Janeiro de 2005 11:38 Diário on-line ,Algarve